O buzz, ou boca-a-boca, segundo Jerry R. Wilson (Marketing boca-a-boca, p.71), opera num contínuo do negativo para o positivo. Este contínuo, representado na figura abaixo, está diretamente relacionado à qualidade do atendimento prestado.
É praticamente véspera de eleições e alguns fatos novos podem ser observados no que tange a comunicação política. Além dos tradicionais 'santinhos', por exemplo, centenas de malas diretas chegaram via correio às casas dos eleitores. Houve, também, um aumento notável no número de cabos eleitorais, alguns deles chegando a ligar para o celular de eleitores para pedir votos.
Ainda sobre cabos eleitorais, tenho a impressão de que muitos deles não estão necessariamente sendo remunerados. São simpatizantes que, devido ao acirramento da disputa, passaram a tentar convencer os eleitores indecisos das vantagens de se eleger determinado candidato. Com a aproximação do 'dia D', acredito, indecisos se posicionam e, então, podem até virem a se tornar cabos também.
Os carros de som, por sua vez, tomaram as avenidas centrais, principalmente na hora do rush, disputando espaço e atenção do público e, em seu conjunto, causando um ruído ensurdecedor, quase ininteligível.
E por falar em carros de som, os jingles dessa campanha merecem um capítulo a parte. Ficou evidente a predileção dos candidatos pela música sertaneja e pelo samba. Ritmos populares e apelo emocional para atingir a massa. Mas também se ouviu hip hop, música tradicionalista gaúcha e reedição de jingles de eleições passadas.
Com a ajuda dos 'universitários' e do Google, consegui identificar alguns compositores e músicas que foram usadas pelos políticos em suas campanhas: Duduca e Dalvan (Espinheira), Victor e Léo (Amigo apaixonado), Hélio dos Passos (Fica Comigo Agora) e Jorge e Mateus (Pode chorar).
"Pode chorar"... Pensando bem, tem cada uma que é de chorar mesmo!
Política é coisa séria. Ou pelo menos deveria assim ser encarada. Mas como no Brasil, infelizmente, a política e a corrupção andam de mãos dadas, uma imensa quantidade de eleitores simplesmente não leva a sério o processo eleitoral. Ficam indiferentes, votam em branco, anulam o voto e assim demonstram seu repúdio ao festival de promessas de mudança que se repete a cada eleição.
É pertinente que uma campanha trate das origens do candidato, de sua vida profissional e destaque suas qualidades. O objetivo é gerar buzz positivo e dessa forma assegurar um número de votos suficiente para garantir sua eleição. Contudo, não satisfeitos em falar bem de si, é comum muitos candidatos incorporarem estratégias de crítica e ataques aos adversários. É então que se dá a contrapropaganda.
No livro “O que é propaganda ideológica”, o autor Nelson Jahr Garcia (p.60) explica que a contrapropaganda é o recurso utilizado por um grupo na busca de neutralizar as idéias contrárias, quando não consegue obter o monopólio das informações através do controle ideológico.
O autor escreve que a contrapropaganda se caracteriza pelo emprego de algumas técnicas que visam a amenizar o impacto das mensagens opostas, anulando seu efeito persuasivo. Procura colocar as idéias dos adversários em contradição com a realidade dos fatos, com outras idéias defendidas por eles próprios ou em desacordo com certos princípios e valores aceitos e arraigados entre os receptores. Outras vezes, atua de forma indireta, tentando desmoralizar as idéias, não pela indicação das contradições que envolvem, mas pela crítica à personalidade ou comportamento daqueles que a sustentam. Critica-se o sacerdote para desmerecer o conteúdo de suas pregações, ataca-se alguns dirigentes políticos para combater a filosofia adotada pelo governo e assim por diante.
A contrapropaganda, na prática, se concretiza através da emissão de mensagens que, associadas aos argumentos ou à personalidade dos adversários, despertam reações negativas. A apresentação de fatos que estejam em contradição com as mensagens adversárias, sugerindo sua falsidade, irrealidade ou absurdo, é realizada com o intuito de despertar dúvida em relação a elas. Os fatos que se contrapõem às idéias da propaganda adversária costumam ser totalmente forjados. Não tendo condições de verificar, através de fonte segura, a veracidade ou não das informações, os receptores tendem a aceitá-las ou, ao menos, permanecem indecisos.
A contrapropaganda também atua sobre o temor, mostrando que as idéias adversárias, se concretizadas, podem causar graves prejuízos e malefícios às pessoas. Quem não se lembra da campanha eleitoral de 2002, quando a atriz Regina Duarte falou no programa eleitoral de José Serra sobre os riscos de uma eleição de Lula. No vídeo de 1 minuto, Regina lê um texto criado pelo publicitário Nizan Guanaes, no qual repete 4 vezes a palavra "medo". Todavia, o testemunhal não logrou êxito e Lula venceu aquela eleição.
A contrapropaganda também é realizada no sentido de despertar desprezo pelos adversários e suas idéias, associando-os a situações contrárias aos princípios e valores respeitados pelos receptores. Os comentários que se fazem a respeito de alguns dirigentes governamentais, acusando-os de desonestos, corruptos, homossexuais e, até mesmo, de traídos pelas esposas, visam desmoralizá-los e gerar desprezo pelas propostas e idéias que defendem.
Os veículos de comunicação, constantemente, difundem charges, apelidos e sátiras que desmoralizam e desfiguram dirigentes e líderes políticos, tornando-os engraçados ou mesmo ridículos. Quebram, assim, a imagem de respeito que estes pretendiam impor e afetam o conteúdo de suas afirmações.
A contrapropaganda, portanto, é o instrumento utilizado por um grupo, através das formas e recursos mencionados, visando neutralizar a força das teses e argumentos da propaganda adversária. Dessa forma, amenizando-o efeito persuasivo das idéias contrárias às suas, o grupo pode desenvolver sua própria campanha de propaganda, sem a necessidade de recorrer a outros artifícios e precauções que esclareçam a razão das diferenças entre suas propostas e as alheias.
Aproximam-se as Eleições 2008, nas quais os eleitores brasileiros deverão escolher os prefeitos e vereadores para os próximos 4 anos. Mas antes das eleições, e por causa delas, as ruas e a mídia são tomadas por um imenso aparato de comunicação gerado por esses cidadãos que almejam o poder. Mas como se chama, afinal, os esforços concentrados e temporários de comunicação com fim eleitoral? Para ser mais específico, é Propaganda ou Publicidade?
Neusa Demartini Gomes tem a resposta para esta dúvida. Em seu livro “Formas persuasivas de comunicação política”, a autora explica que, tecnicamente, existe uma grande diferença entre Propaganda e Publicidade: Propaganda vem de Propaganda Fidae, ou propagação da fé, campanha realizada pela Igreja Católica, a partir do século XVI. Mas é tão antiga quanto o homem, já que existe desde quando existem relações de poder entre dominantes e dominados. Destas remotas origens, quando não havia produtos comerciais, e da apropriação da Igreja Católica para sua ação doutrinadora, hoje se aplica o termo ao conjunto de regras e técnicas empregadas para propagar idéias.
Já a Publicidade, conforme a autora, é o conjunto de regras e técnicas empregadas para divulgar produtos e serviços. É um fenômeno do nosso século, posterior à revolução industrial e ligada diretamente à sociedade de consumo.
Ok, até aí. Os candidatos divulgam e sustentam idéias com o objetivo de persuadir os eleitores a votar neles: propaganda. Mas não seria o candidato uma espécie de 'produto comercial' (o objeto da publicidade) que pode ou não ser escolhido nas prateleiras do supermercado 'Democracia'?
É então que se faz pertinente outro termo, "Comunicação Política", também usado por Neusa Demartini Gomes, e que, por sua vez, abrange os esforços de publicidade e propaganda utilizados no meio político. Segundo a autora, a "Comunicação Política" pode ser dividida em dois grupos principais:
- Publicidade eleitoral: lançamento e manutenção de políticos (pessoas e não das idéias que sustentam), normalmente feita em época de eleições. É apresentada na forma de spot de rádio e tv, folhetos, cartazes, out-doors e adesivos para carros;
- Propaganda política: comunicação persuasiva que visa conquistar militantes, simpatizantes ou adeptos a um partido político. É apresentada na forma de reportagens, entrevistas, documentários e editoriais.
Em suma, os dois tipos podem ser (e são) concomitantemente utilizados neste período que precede as eleições. Os carros de som, horário eleitoral em rádio e tv, anúncios em mídia impressa e exterior que disputam ferrenhamente a atenção dos eleitores, constituem a Publicidade eleitoral. Já a propaganda política inclui o boca-a-boca dos militantes e cabos eleitorais, bem como a divulgação de pesquisas sobre as preferências do eleitorado.
A internet é um lugar onde a filantropia e os negócios convivem harmoniosamente. De associações de bairro a grandes indústrias, as mais diversas organizações possuem suas páginas na rede. O objetivo primário de quaisquer delas é a comunicação: informar sua existência, transmitir mensagens relacionadas à atividade que desenvolvem.
Um site não é necessariamente uma forma de publicidade ou marketing, mas estas são utilidades possíveis da ferramenta. Quando este é o caso, existem outras ferramentas de comunicação online que visam encurtar a distância entre o internauta e a organização: são os banners, pop ups, hotsites, emails, entre outros.
E é provável que o email, por várias razões, seja a mais poderosa das ferramentas aqui citadas. Afinal, em meio a uma terra de todos (ou de ninguém), o webmail costuma ser o primeiro espaço privado de um internauta na rede. Atualmente os emails são gratuitos, fáceis de criar e com uma capacidade de armazenamento enorme. Por email são tratados os mais variados assuntos, se pode recomendar algo, divulgar um evento e, ainda que não diretamente, comprar e vender coisas.
Por ser uma forma de enviar mensagens objetivamente, o email se tornou um canal de colaboração online. Ao contrário de fóruns ou redes sociais onde todos os demais usuários podem ver o conteúdo das mensagens, o email é reservado, sigiloso. Por email os internautas podem compartilhar sites, fotos, informações sobre produtos, serviços, notícias, promoções, virais, etc.
Com um email o internauta pode também se cadastrar em newsletters sobre assuntos específicos, receber publicidade (ainda que não solicitada), correntes e pedidos de ajuda. Estes últimos, no entanto, são um artifício, ou melhor, uma armadilha para coletar dados na qual muitos internautas desavisados entram sem saber. É aí que a colaboração passa a ter outro significado. Ou seja, ao repassar aquele email para X pessoas a fim de ganhar sem concurso um celular da marca Y, você na verdade está colaborando para engrossar o mailing do hacker Z. Mailings como esse podem ser negociados e servirão para propagar spams que entulharão incontáveis caixas postais, inclusive a sua. Isto quando não tentam roubar seus dados e senhas!
Em suma, dia após dia assisto a voluntariedade altruísta de uns se transformar na lucratividade oportunista de outros. Nessa situação cabe como uma luva aquele provérbio cuja autoria eu desconheço, mas que diz assim "de boas intenções o inferno está cheio". Eis o milagre da multiplicação: o email que você encaminha hoje, transformar-se-á nos 50 spams que você receberá amanhã.
Poderosas marcas como McDonald's, Coca-cola, Adidas, Visa, Samsung, Kodak, entre outras, detém os contratos de patrocínio oficial dos jogos de 2008. A compra dos direitos de patrocínio de um evento tão relevante envolve, naturalmente, grandes, digo, milionária$ cifra$. Contudo, a visibilidade gerada para cada companhia é algo descomunal. Pense na mídia espontânea gerada pelas milhares de fotos clicadas e divulgadas em outros tantos milhares de veículos por todo o mundo. Na vitrine gigantesca que Pequim se transformou, esta superexposição constitui o retorno imediato esperado pelos patrocinadores.
E em nome da proteção dos anúncios oficiais, os organizadores das Olimpíadas de Pequim protagonizaram o que se pode chamar de 'guerrilha pró-patrocinador'. O esforço compreendeu, segundo notícia do Blue Bus um grupo de funcionários armados com fita crepe, encarregado de cobrir marcas que nao sejam parceiras oficiais. O que tem se traduzido em pedaços de fita colocados sobre os logos que aparecem em extintores de incêndio, interruptores de elevadores, termômetros de parede e até vasos sanitários nos dormitórios da vila olímpica, centros de imprensa e banheiros dos locais de competição. A matéria original, de Jason Dean, foi publicada na edição eletrônica do Wall Street Journal do dia 16 de agosto.
Curiosamente, no entanto, uma marca não patrocinadora ganhou muita notoriedade já na abertura dos jogos. Trata-se de Li Ning Group, uma grife chinesa de roupas esportivas, concorrente da Adidas, esta sim patrocinadora dos jogos. Ocorre que Li Ning, proprietário da marca, é aclamado na China por sua atuação como ginasta nas Olimpíadas de 1984, quando ganhou nada menos que 6 medalhas. Li Ning foi o último atleta a levar a tocha olímpica, ou seja, foi dele o privilégio de entrar no estádio na noite da cerimônia para acender a pira olímpica, fato que pode ser visto como um importante impulso para sua companhia.
Mais uma vez as atenções do mundo inteiro se voltam para os jogos olímpicos. No país de maior ascensão econômica dos últimos anos se encontram milhares de atletas em busca de medalhas, turistas em busca de lazer, e empresas, muitas empresas em busca de um lugar ao sol.
Este ano a maior confraternização esportiva do mundo ocorre na China, um lugar onde até bem pouco tempo reinava o comunismo, que simplesmente tolhia a comunicação em larga escala, o oposto do modelo ocidental. Mas isto é passado, quem está lá ou acompanha os eventos pelos meios de comunicação pode notar que o marketing e a publicidade estão por toda a parte.
A comunicação das empresas nos jogos olímpicos vai desde os tradicionais patrocínios até as mais novas estratégias de comunicação como o marketing de guerrilha e o marketing de emboscada.
Contudo, os organizadores dos jogos estão de olho nessas práticas e pretendem coibí-las de forma ferrenha. A própria polícia chinesa foi instruída a travar uma Linha dura contra a guerrilha.