"Bom dia, macacada." Assim Flávio Gomes inicia mais uma postagem em seu blog, ao meio-dia e poucos minutos do último sábado. Hoje, dois dias depois, sua crônica ultrapassa a notável marca de 2.400 comentários!
O post com o título Senna, 50 (23), que trata do aniversário de 50 anos que o piloto faria, acaso estivesse vivo, conseguiu gerar um buzz raras vezes visto em blogs, potencializado pela publicação em jornal impresso e divulgação na web.
Em vinte e poucas linhas, o autor critica a conversão do desportista em uma personagem mítica, um herói de carne e osso, um semideus. De forma direta, acusa o egoísmo dos fãs que o endeusam, cuja bajulação torna público o sentimento de inferioridade do brasileiro em relação à outras nacionalidades.
Interessante notar que a maior parte dos comentários são desagravos ao autor por "insultar a memória do maior piloto brasileiro que já existiu", quando, na verdade, não há uma palavra sequer que denigra a imagem de Ayrton Senna. Veja por si mesmo, clique aqui.
Aliás, o autor inclusive ressalta a garra, a determinação de Ayrton, abrindo um parêntese apenas para o ufanismo nacionalista, marca registrada em suas vitórias. Aliás, esse gesto somado à narração exaltada de Galvão Bueno, acredito, muito contribuiu para moldar a figura de herói no imaginário do povo brasileiro.
Eu lembro das ultrapassagens de Senna, de suas muitas voltas mais rápidas, de suas manobras. Também lembro com pesar de sua morte precoce. Mas aquele domingo eu não desperdicei em frente a uma tv. Andei vários quilômetros de bicicleta com amigos para desfrutar algumas paisagens naturais da região onde moro.
Senna tinha talento, era realmente bom no que fazia. Mas essa idolatria, o endeusamento ou santificação que Flávio Gomes acusa é real. Essa lisonja em demasia é parte de uma cultura onde quem morre vira santo. Sobretudo se de uma forma trágica. Foi assim com Ulisses também. Os erros são ignorados; os feitos, exaltados.
Penso que torcer, ser fã é algo normal. Mas não consigo concordar com o fanatismo. E o fato das pessoas se doerem pelo texto revela exatamente uma visão inebriada, bem característica do fanático. Aos bitolados, que fazem suposições absurdas, ofendendo o autor escondidos atrás de pseudônimos e não se esforçam para entender a idéia principal, só resta mesmo a alcunha de viúvas.
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segunda-feira, 22 de março de 2010
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A colaboração online
A internet é um lugar onde a filantropia e os negócios convivem harmoniosamente. De associações de bairro a grandes indústrias, as mais diversas organizações possuem suas páginas na rede. O objetivo primário de quaisquer delas é a comunicação: informar sua existência, transmitir mensagens relacionadas à atividade que desenvolvem.
Um site não é necessariamente uma forma de publicidade ou marketing, mas estas são utilidades possíveis da ferramenta. Quando este é o caso, existem outras ferramentas de comunicação online que visam encurtar a distância entre o internauta e a organização: são os banners, pop ups, hotsites, emails, entre outros.
E é provável que o email, por várias razões, seja a mais poderosa das ferramentas aqui citadas. Afinal, em meio a uma terra de todos (ou de ninguém), o webmail costuma ser o primeiro espaço privado de um internauta na rede. Atualmente os emails são gratuitos, fáceis de criar e com uma capacidade de armazenamento enorme. Por email são tratados os mais variados assuntos, se pode recomendar algo, divulgar um evento e, ainda que não diretamente, comprar e vender coisas.
Por ser uma forma de enviar mensagens objetivamente, o email se tornou um canal de colaboração online. Ao contrário de fóruns ou redes sociais onde todos os demais usuários podem ver o conteúdo das mensagens, o email é reservado, sigiloso. Por email os internautas podem compartilhar sites, fotos, informações sobre produtos, serviços, notícias, promoções, virais, etc.
Com um email o internauta pode também se cadastrar em newsletters sobre assuntos específicos, receber publicidade (ainda que não solicitada), correntes e pedidos de ajuda. Estes últimos, no entanto, são um artifício, ou melhor, uma armadilha para coletar dados na qual muitos internautas desavisados entram sem saber. É aí que a colaboração passa a ter outro significado. Ou seja, ao repassar aquele email para X pessoas a fim de ganhar sem concurso um celular da marca Y, você na verdade está colaborando para engrossar o mailing do hacker Z. Mailings como esse podem ser negociados e servirão para propagar spams que entulharão incontáveis caixas postais, inclusive a sua. Isto quando não tentam roubar seus dados e senhas!
Em suma, dia após dia assisto a voluntariedade altruísta de uns se transformar na lucratividade oportunista de outros. Nessa situação cabe como uma luva aquele provérbio cuja autoria eu desconheço, mas que diz assim "de boas intenções o inferno está cheio". Eis o milagre da multiplicação: o email que você encaminha hoje, transformar-se-á nos 50 spams que você receberá amanhã.
Um site não é necessariamente uma forma de publicidade ou marketing, mas estas são utilidades possíveis da ferramenta. Quando este é o caso, existem outras ferramentas de comunicação online que visam encurtar a distância entre o internauta e a organização: são os banners, pop ups, hotsites, emails, entre outros.
E é provável que o email, por várias razões, seja a mais poderosa das ferramentas aqui citadas. Afinal, em meio a uma terra de todos (ou de ninguém), o webmail costuma ser o primeiro espaço privado de um internauta na rede. Atualmente os emails são gratuitos, fáceis de criar e com uma capacidade de armazenamento enorme. Por email são tratados os mais variados assuntos, se pode recomendar algo, divulgar um evento e, ainda que não diretamente, comprar e vender coisas.
Por ser uma forma de enviar mensagens objetivamente, o email se tornou um canal de colaboração online. Ao contrário de fóruns ou redes sociais onde todos os demais usuários podem ver o conteúdo das mensagens, o email é reservado, sigiloso. Por email os internautas podem compartilhar sites, fotos, informações sobre produtos, serviços, notícias, promoções, virais, etc.
Com um email o internauta pode também se cadastrar em newsletters sobre assuntos específicos, receber publicidade (ainda que não solicitada), correntes e pedidos de ajuda. Estes últimos, no entanto, são um artifício, ou melhor, uma armadilha para coletar dados na qual muitos internautas desavisados entram sem saber. É aí que a colaboração passa a ter outro significado. Ou seja, ao repassar aquele email para X pessoas a fim de ganhar sem concurso um celular da marca Y, você na verdade está colaborando para engrossar o mailing do hacker Z. Mailings como esse podem ser negociados e servirão para propagar spams que entulharão incontáveis caixas postais, inclusive a sua. Isto quando não tentam roubar seus dados e senhas!
Em suma, dia após dia assisto a voluntariedade altruísta de uns se transformar na lucratividade oportunista de outros. Nessa situação cabe como uma luva aquele provérbio cuja autoria eu desconheço, mas que diz assim "de boas intenções o inferno está cheio". Eis o milagre da multiplicação: o email que você encaminha hoje, transformar-se-á nos 50 spams que você receberá amanhã.
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